É tarde mas sei que não dormes ou, pelo menos, já acordadas sozinha assim que te chamam.. ;)
Hoje, ao fazer uma pesquisa sobre um livro publicado recentemente, vi-te. E tu sabes que falo a sério.
Aquela fotografia...tu estavas exactamente assim da última vez que te vi!
Sabes? Eu estava habituada a entrar em quartos de hospitais mas para ver bebés. Quartos onde a mais pura das alergias era possível de se respirar. Sabia de uma forma muito infantil (com 9 anos nada sabia da Vida) da tua situação e ainda assim quis ver-te.
Entrar no IPO, mesmo com aquela idade é ...
Entrar no quarto onde estavas, branco mas preto (creio ter sido aí que ganhei a ''fobia'' a quartos brancos/bejes de hospitais), onde reinava tudo menos alergia..
Entrar no ''teu'' quarto... a tua dor (garantiram asos teus pais que não a sentias) queimava-nos a alma e amachucava os nossos corações.
Entrar no ''teu'' quarto, ver-te rodeada de máquinas, o teu corpo cheio de tubos e inchada...tão inchada que (e desculpa!) não te reconheci à primeira, provocou-nos raiva. Não de ti (jamais isso poderia acontecer) mas da doença.
Deixaram-me ver-te de perto, tocar-te e a tua irmã levou-me para o jardim do hospital, o havia uma fonte e ficamos a olhar para os peixes.. Antes de sair vi que que todos os adultos estavam a chorar.
É frequente lembrar-me de um momento muito especifico de passamos juntas. Tinhas um computador e naquela altura, ainda nos saudosos escudos, só um pequeno número de pessoas (pelo menos daqui do concelho) podia gabar-se de ter tal coisa. Portanto, num dia em que fomos jantar a tua casa, quiseste ensinar-me a escrever no computador e escreveste, letra a letra: 'Nasceu e morreu, como só ela foi capaz.'
Lembraste disto?
Na altura, não entendi o significado destas palavras, para mim eram só letras, nada mais que isso.
Cresci, amadureci e aprendi na primeira pessoa o que é enfrentar uma doença.
Sabes quem foi e é, a minha primeira professora da Vida? És tu! E não, não te estou a dar graxa, é a verdade e orgulho-me, este Mundo e o outro, disso.
Querida A, daqui até à tua nuvem, o maior e mais sentido obrigada por todas as tuas valiosas lições que guardei em mim.
Obrigada por teres lutado mesmo quando não querias porque a dor consumia-te e isso só os teus pais viam.
Obrigada por estares em nós. Porque estás.
Custa ler palavras destas :(
ResponderEliminarbeijinhos